Livro disponível no site da editora Junqueira e Marin (frete grátis) ( valor: R$ 27,00)http://www.junqueiraemarin.com.br/publicacoes.php?titulo=15
A experiência do Instituto Lóczy, iniciada nos anos 40 do século passado na Hungria, é relatada em alguns capítulos deste livro.A força do olhar, da palavra, do gesto, do que temos de mais “demasiado humano” para abordar o respeito à infância constitui a inovadora relação dos adultos com as crianças, direito que tem sido negado quando precocemente são transformadas em escolares.As reflexões acerca da “experiência de Lóczy” – que iluminou outras experiências européias – são significativas para todos os que se preocupam, educam e estudam as crianças pequeninas.
PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA
É com muita alegria que, na condição de tradutoras, apresentamos para a edição brasileira, reflexões acerca da “experiência de Lóczy” tão significativas para o momento que vivemos em relação à educação das nossas crianças pequenininhas.
Apesar das contradições que o cercam, o século XX pode ser lido desde a perspectiva de inúmeras iniciativas pela consolidação de um conjunto de direitos sociais – enunciados e anunciados pela Revolução Francesa. O direito à infância, hoje negado pela escola infantil que escolariza e precocemente transforma a criança em escolar, é ativamente cultivado nesta experiência iniciada nos anos 40, nas práticas e ensinamentos decorrentes desta singular experiência liderada por Emmi Pikler em Budapeste (Hungria).
No contexto específico de uma instituição destinada a crianças órfãs, recupera-se sua condição humana como sujeitos de emoções, de movimentos, de interações; condição esquecida pelas intervenções de profissionais que, a serviço do Estado, higienizavam e atendiam as crianças como pequenos “autômatos”.
Pela inovadora relação dos adultos com as crianças – expressão de uma nova concepção de criança -, a experiência do Instituto Lóczy iluminou experiências européias de educação de crianças de 0 a 6 anos em creches e escolas infantis, hoje reconhecidas como as mais avançadas na educação da infância. Nesse sentido, pode ser modelar para educadores e pais, que nos quatro cantos do mundo enfrentam o desafio do cuidado cotidiano com crianças pequenas.
A força do olhar, da palavra, do gesto, do que temos de mais “demasiado humano” é o que se recupera nestas páginas que nos falam de respeito à infância e de novas relações entre adultos e pequenos, seguindo a “ética do cuidado amoroso” proposta pelo teólogo Leonardo Boff.
O fato da experiência de Lóczy, – relatada aqui a partir de várias temáticas convergentes para a experiência grupal: a autonomia, a linguagem entre o educador e as crianças, as regras de vida, as atividades em comum, a participação no cuidado com o corpo -, se realizar dentro do claro marco institucional, nos anima a pensar a reivenção da própria instituição que tem sob sua responsabilidade o cuidado com os pequenos. E desafia-nos a pensar, também, na intervenção doméstica – privada – que, em muitas situações, segue entendendo as crianças pequenininhas como seres inertes, meros objetos de higienização e alimentação que “mais tarde despertarão”.
Gostaríamos de lembrar, nesta apresentação, os amigos e amigas da “Associação de Professores Rosa Sensat”, de Barcelona, incansáveis nas lutas pela qualificação da relação do mundo adulto com a infância – como a socialização de trabalhos como este que nos recordam, nesta aldeia global, que podemos compartilhar ideais e práticas que façam a vida na infância mais respeitada e bonita. E apontem, também neste campo, para “outro mundo possível”.
São Carlos/Porto Alegre – janeiro de 2003
Suely Amaral Mello (Universidade Estadual Paulista Unesp)
Jaqueline Moll (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

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